quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Test DaF, DSH, Goethe... Como comprovar meu nível de alemão?

Há alguns dias, tive o desprazer uma não-tão-boa experiência de troca de e-mails com o centro de línguas de uma Universidade. Talvez por eu ter escrito em inglês, a pessoa assumiu que eu não sabia nada de alemão e me agraciou com um "se você não pode comprovar seu nível de alemão, nós não podemos te ajudar". (!) Além disso, não respondeu nada do que eu perguntei. Respondi em bom alemão (com ajuda de um nativo, claro, mas ninguém precisa saber...hehe), dizendo que como o e-mail era, veja bem, pra um CENTRO DE IDIOMAS, com uma pergunta sobre um curso de, veja bem de novo, "ALEMÃO como língua estrangeira", imaginei que não haveria problema escrever em inglês. Mas enfim, se era melhor, eu escreveria então em alemão. Refiz as perguntas e apesar de aí a resposta ter sido absurdamente melhor e mais "respeitosa", eles me confundiram mais, dizendo que se eu precisava de C1 pra um mestrado, eles não aplicavam esses testes lá. Se eu precisava de DSH, era outra história.

Hã? Como assim, o DSH não comprova o C1? Do que ele está falando? O que o programa de mestrado pede é o que, então? Fiquei mais confusa do que antes do e-mail.

Enquanto isso, meio sem querer, encontrei um evento na Volkshochschule daqui de Nürnberg que era tipo uma palestrinha só sobre provas de alemão como língua estrangeira (TestDaF, DSH, Goethe Sprachdiplom, Telc, etc), pra esclarecer quem estava pensando em prestar uma delas. E seria em poucos dias, e de graça! Me registrei e hoje, graças ao bom pai - a à boa fuçação na internet, que eu super recomendo, fui lá e tive todas as minhas dúvidas finalmente sanadas (YEAH!) - e vou dividir aqui com vocês.

Primeiro de tudo:

1. Quando se fala em "comprovação de C1", não necessariamente se fala de DSH e TestDaF. E vice-versa.


Pra comprovar que tem nível C1, você pode, por exemplo, apresentar o certificado de conclusão de um curso normal de nível C1. Ou o Telc, ou o certificado Goethe C1. Esses são realmente de C1. O que acontece é que o TestDaF e o DSH são provas que tem mais ou menos o nível C1, e por isso a confusão - porém, suas metodologias e conteúdos, bem como os resultados possíveis (no TestDaf, a nota de 3 a 5, e no DSH, os pontos), vão atestar outras capacidades pras Universidades, como certo domínio de termos técnicos, de entender e escrever certos tipos de texto, tal. Hoje na palestra tinham pessoas que queriam o C1 por motivo de trabalho, por exemplo, e aí pra elas não tem nada a ver fazer o DSH. São coisas de fato diferentes (ao menos na teoria).

2. O que é o DSH e o TestDaF? Qual a diferença?

DSH significa "Deutsche Sprachprüfung für den Hochschulzugang" (Prova de língua alemã pro ingresso em ensino superior, ou seja, é bem realmente pra quem quer estudar), e TestDaF é um Instituto, assim como o Goethe ("DaF" significa "Deutsch als Fremdsprache" - alemão como língua estrangeira). A prova do TestDaF também é voltada pra quem quer estudar. Pra informações, modelos de provas, etc do DSH, você pode procurar no site da própria Universidade de seu interesse. Já pro TestDaF, tem o site do Instituto - https://www.testdaf.de/. Telc também é um Instituto, assim como o Goethe e o TestDaF. O Telc é mais reconhecido na Alemanha, enquanto o Goethe é mais reconhecido (tipo, mais "bem visto", sabem melhor que existe) em outros países.

3. E onde eu faço a prova e o curso preparatório de cada um?

O DSH é aplicado nas próprias Universidades, e geralmente (com exceção de umas 4 Universidades na Alemanha), o curso preparatório pro DSH  em uma Universidade só é permitido a quem realmente tem intenção de estudar naquela Uni. Por isso, é preciso ir lá, dizer o que você pretende fazer lá (qual curso, qual mestrado, etc), e aí eles vão te dar uma permissão de frequentar o preparatório pro DSH deles, que vai ser aplicado lá mesmo, pra quantos estudantes existirem no curso.
Já o TestDaF pode ser aplicado na Uni, mas não tem esse vínculo tão estreito com ela, ela é só um centro aplicador, digamos assim. Na Uni que eu quero, por exemplo, não existe curso preparatório pro TestDaF e só existem 20 vagas pra fazer a prova. Ou seja... bobeou no dia de se registrar, dançou, ficou sem vaga pra prestar a prova lá (que na Uni, só acontece 2 vezes por ano). Mas é possível fazer em outros centros aplicadores. O TestDaF é feito a cada 6 semanas na Alemanha, mas você tem que descobrir onde exatamente, e de repente ir pra alguma cidade próxima, se não quiser esperar muito. Aqui em Nürnberg por exemplo, se eu não conseguir vaga, eu procuraria as próximas em Augsburg, em Munique, etc, que dá pra ir de trem. E o curso preparatório pro TestDaF não existe mais na Universidade que eu quero, mas tem um na VHS (Volkshochschule). Pra encontrar onde fazer a prova do TestDaF, consulte o site deles, e pra achar curso preparatório, coloque "vorbereitungskurs TestDaF (nome da sua cidade)" no google.

4. Só a Universidade poderá dizer qual prova vale, e qual resultado será aceito, no curso/mestrado que você quer fazer.

No site da Universidade talvez você encontre uma lista com as exigências de idioma(s) pra cada curso/mestrado. O que eu quero, por exemplo, pede DSH 2. O TestDaF normalmente tem que ter resultado 4 (vai de 3 a 5), mas cada parte do teste (ler, ouvir, escrever, falar) tem uma nota e aí a exigência pode divergir - algumas vão aceitar que vc tenha 3 em duas e 5 em outras (resultado final: 4), outras vão exigir que você tenha no mínimo 4 em todas as partes. Tem que perguntar.

Eu perguntei na Uni quais outros testes eu poderia fazer, que fossem equivalentes, e eles me passaram essa lista (mas pergunte na sua Uni, pq cada uma é diferente! Só estou colocando aqui pra dar uma idéia):

Sprachdiplome , die sind der DSH 2 äquivalent und anerkannt:

  • -      das Goethe-Zertifikat C 2: Großes Deutsches Sprachdiplom (ab 1.1.2012),
  • -      das Große Deutsche Sprachdiplom des Goethe-Instituts (bis 31.12.2016),
  • -      das Kleine Deutsche Sprachdiplom des Goethe-Instituts (bis 31.12.2016),
  • -      die Zentrale Oberstufenprüfung des Goethe-Instituts (bis 31.12.2016),
  • -      die DSH bzw. bei Zeugnissen nach neuen Prüfungsmodalitäten die DSH-Stufe 2 einer deutschen Hochschule, soweit diese nach der entsprechenden Rahmenordnung der HRK durchgeführt worden ist, sowie nach Maßgabe näherer Bestimmungen der Universität,
  • -      das Deutsche Sprachdiplom der Kultusministerkonferenz Stufe II (DSD II),  
  • -      das Zeugnis über die bestandene Feststellungsprüfung an einem Studienkolleg in der BRD,
  • -      der TestDaF (TestDaF-Institut Hagen) nach Maßgabe näherer Bestimmungen der Universität,
  • -      Deutsche Sprachprüfung II des Sprachen- und Dolmetscher-Instituts München.

Na palestrinha de hoje, o que disseram é que TestDaF (nível 4 em todas as partes, geralmente), DSH 2 e Goethe Institut C2 Prüfung, todas as Unis tem que aceitar, com raras exceções pra quem quer estudar alguma coisa muito super super, tipo Germanistik, sei lá. Alguns cursos (tipo Música, sei lá), podem aceitar o Goethe C1 ou o Telc C1, mas também são raros.

5. Tem que já ter o nível C1 pra fazer o Vorbereitungskurs?

Teoricamente, sim. Mas é bom conversar com a escola que oferece o curso antes; eu falei hoje diretamente com a professora do curso pro TestDaF, e ela disse que como esse curso que ela dá, especificamente, é mais pra treinar as provas mesmo e se dedicar sozinho (ela dá muita coisa pra ler e escrever em casa), vai muito do tempo que o aluno tem pra estudar. Como eu falei que no momento eu tenho bastante tempo, pois só quero me dedicar ao alemão, ela disse que eu poderia fazer, se quisesse. Eu só tenho B1+ e estudo por conta o B2, atualmente. Pro DSH eu não sei, acho que vc é obrigado a fazer o teste de nível antes, e aí eles te colocam na turma de acordo com o seu nível.

6. Como são as provas?

Todas as provas tem as 4 partes: Leseverstehen, Hörvestehen, Schriftlicher Ausdruck e Mündlicher Ausdruck. A duração de cada parte, o foco e como são testadas varia um pouco em cada prova, mas o conhecimento que você tem que ter é mais ou menos o mesmo. É bom ver modelos de provas e se informar pra ver qual você acha que é melhor pra você. No DSH, por exemplo, é permitido ter um dicionário alemão-alemão na hora de escrever o texto; no TestDaF, não. No DSH a parte oral é com outra pessoa, cara a cara, por 15 minutos, enquanto no TestDaF são 7 situações em que você fala por 30 segundos pro computador (por exemplo, "faça uma ligação perguntando sobre cursos de alemão", aí vc ouve no fone de ouvido a mulher atendendo o telefone e vc tem que falar por 30 segundos), e dura no total 35 minutos. Cada pessoa funciona melhor numa situação diferente, então vale a pena se informar e treinar especificamente praquele tipo de teste.

7. Resultados

Os resultados do TestDaF e do DSH equivalem assim:

TDN 3 (TestDaF Niveau 3) - DSH-1 (você sabe menos)
TDN 4 (TestDaF Niveau 4) - DSH-2 (você sabe ok, suficiente pra Uni)
TDN 5 (TestDaF Niveau 5) - DSH-3 (você manja muito)

8. Custos

O preço dos cursos preparatórios variam, tem que se informar em cada lugar. Pro DSH na Uni de meu interesse, por exemplo, você também paga o teste de nivelamento (25 euros, se bem me lembro). Aí você paga o curso - extensivo ou intensivo, e também paga a prova. O TestDaF você também paga o curso e depois paga a prova. Nem vou por os preços aqui porque eles mudam muito, se informe direitinho nas opções da sua cidade... mas já prepare o bolso, que barato não sai. :P Se você estiver com a grana curta, pode tentar comprar os livros (do TestDaF é o "Fit für den TestDaF", do DSH eu não sei), procurar material na internet e sites oficiais e estudar por conta, vai das suas possibilidades e determinação. ;)


Depois de tudo isso, ficou bem mais claro o que a pessoa do centro de idiomas tentou me dizer. Provavelmente eu vou tentar o TestDaF ao invés do DSH, só pelo fato de sair muito mais barato - além do preparatório da VHS ser mais em conta, é na minha cidade mesmo, não preciso pagar o trem pra ir e voltar todo dia pra outra cidade.

Espero que ajude a clarear um pouco pra vocês também, pra quem estiver na mesma situação que eu, de se afogar no mar de informações dos sites todos!

Liebe Grüße und auf Wiedersehen!




quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Por que eu ainda não falo alemão?

Muita gente deve se perguntar como, por deus, eu morando aqui, tendo um alemão em casa, tendo trabalhado e estudado alemão na Alemanha, eu ainda não falo alemão bem.

Eu mesma tenho que confessar que pensei isso muitas (muitas, muitas) vezes. Como? Por que não entra por osmose? Ainda mais que eu sempre segui as recomendações: assistir TV em alemão, ver filme com e sem legenda, ouvir música, falar com as pessoas na rua, ler revista, ler repostagens na internet, etc. Também fiz cursos de alemão em duas escolas diferentes. Por que não funciona?

Pensei muito sobre isso, e nesse tempo, vi muitas pessoas com quem aconteceu a mesma coisa (Ufa, não era só eu.).

Até que eu ouvi uma frase no ano passado, do mestre Yoda de Chris Lonsdale, numa palestra do TED, que resumiu tudo. Só aí é que consegui ir esmiuçando o problema. A frase:

"Immersion per se doesn't work. And why? Because a drowning man can't learn to swim!" 


 "Imersão (no idioma) por si só não funciona. E por quê? Porque um homem se afogando não consegue aprender a nadar". É isso.

Ouvir gente falando rápido, usando todo o vocabulário de um nativo, com a pressão de ter que entender e responder logo em seguida, numa situação que vai dando desespero... Não vai ajudar na sua conversação. Nem ler textos de nível C2 quando seu alemão nem no B chegou ainda. Você se sente exatamente assim: se afogando num mar de palavras desconhecidas. E nessa situação, você não consegue mesmo aprender a nadar.

Mudou minha vida. E aí a partir disso consegui listar alguns outros motivos:

1. Alemão é difícil mesmo

Alemão nem é o bicho de 7 cabeças que todo mundo pinta (ou é, mas tem piores!rs). Porém, acho que a referência que a maioria de nós tem de segunda língua é o inglês. O inglês parece mais simples, mas na realidade só parece... muitos de nós considera que já estamos manjando, por conseguirmos nos comunicar bem em inglês, ter alguma fluência, tal... mas na real não sabemos nem 1 décimo dos Phrasal Verbs, nosso vocabulário é bem limitado, usamos construções simplinhas, não entendemos sarcasmo ou piadinhas mais sutis.

Com o alemão, não tem essa "versão simplificada", de já conseguir se comunicar mesmo sem saber muito. A língua alemã é muito de especificar, pra cada jeito de fazer uma coisa, existe um verbo diferente. E eles realmente USAM TODOS.

2. Somos muito menos expostos ao alemão do que ao inglês durante a vida

Outro problema da nossa referência pra aprender outro idioma ser o inglês: quando entramos num curso de inglês, mesmo sem perceber, já sabemos muita coisa. Estamos acostumados com a pronúncia das palavras e a variedade de sons que a língua tem, por causa dos filmes e músicas; temos várias palavras incorporadas (e com elas também a fonética); sabemos algumas letras das músicas e a tradução de algumas partes, etc.
Já com o alemão, mesmo quem é de família alemã e ouvia uma coisa aqui outra ali (como era na minha casa), a exposição é MUITO menor. A maioria das palavras soa completamente estranha, você realmente nunca ouviu aquilo na sua vida. Falta aquele "primer". E por isso você começa a aprender mais do zero do que o inglês, e tem a impressão que demora muito mais. E demora mesmo.

3. Der, die, das?!?

No alemão, ao invés de masculino e feminino, tem também o artigo neutro. Muitas coisas que são "menina" pra gente, em alemão são "meninos" ou "menines". Por exemplo: o sol aqui é "a sol" (die Sonne), e a lua é "o lua" (der Mond). Até aí tudo bem, você pode trocar tudo e ainda assim, as pessoas vão te entender.

O problema é que quase todas as regras de gramática dependem do artigo pra serem aplicadas. E aí, se você erra o artigo, você erra todo o resto junto. Dá a impressão que você não sabe nada - mesmo que você só não saiba o artigo.

4. Não tá rolando? Troca pro inglês!

Uma coisa que os alemães fazem com frequência e você acaba fazendo também, é trocar automaticamente pro inglês, se o alemão não estiver funcionando 100%. Na hora é ótimo, super resolve, dá aquele alívio... mas a longo prazo, você acaba não aprendendo nunca o que não sabe. E um dos problemas que aconteceu comigo, e acontece com muitos brasileiros que moram aqui, é justamente esse: por chegarmos em casa cansados, com todo o estresse do dia somado ao desconforto de viver em outra cultura, a última coisa que a gente quer na vida é forçar o nosso cérebro a falar uma língua que ele não domina. Você quer conversar, trocar uma idéia, contar como foi seu dia, tal... sem demorar 20 segundos pra pensar em cada palavra. E aí o inglês acaba dominando suas relações, e fica cada vez mais difícil trocar pro alemão.

5.  Metodologia dos cursos

Os cursos de alemão que eu fiz, intensivos na Volkshochschule (A1.2 e depois B1+) e intensivo de integração (A2.1 até B1) numa escola privada foram ótimos. Porém, os cursos seguem livros, quase que estritamente, e o professor parece sempre mais pressionado a seguir o cronograma do livro do que em seguir o ritmo e os pontos que os alunos precisam. E isso não é culpa deles - quase todas as escolas de idioma adotam essa prática.
O fato de todos os cursos que eu fiz serem intensivos também não ajudou muito, já que eu não tinha tempo de revisar e praticar até não poder mais os pontos que precisavam, principalmente os que são de decorar mesmo. Eu tinha aula todos os dias, no dia seguinte já vinham outros assuntos, outras palavras... E o que não foi decorado (como as tabelas de declinação, que não tem jeito), ia seguindo na deficiência :P

Além desses dois fatores, os cursos regulares costumam ser voltados pra fazer você se virar no dia a dia. E realmente funciona. Porém, a gramática mesmo acaba sendo colocada aqui e ali de forma homeopática... e eu gosto de saber tudo, certinho, colocado em tabelas, com as regras, pra ter uma noção geral de tudo que existe, onde eu tô naquele meio. Você aprende alemão nos cursos? Claro que aprende. Porém se você quer (como eu) estudar em uma Universidade, escrever bem, se comunicar num nível mais alto, você acaba sentindo falta de pegar mais pesado na gramática.

E é por isso que eu tirei esse tempo pra estudar por conta, inclusive. Comprei dois livros de gramática, pura e seca, pra enfiar goela abaixo ponto por ponto. E até agora tem sido ótimo! Posso passar dias fazendo só frase no nominativo e declinando adjetivo até as terminações todas saírem no automático. Era isso que eu precisava.

Então, a minha dica, se você também estiver passando por essa situação: calma, respira, e veja bem o que tá fazendo falta no seu método de aprender. Você tem algum/a alemã/o pra conversar? Você está conversando EM ALEMÃO com ele/a? Os textos, programas de TV, etc que você pega pra ler e assistir, são pro seu nível? Você treina tudo de forma balanceada: ouvir, entender, ler, escrever, falar?

Talvez seja só um ponto que esteja pegando e dando essa impressão que você não sai do mesmo lugar. Vale a pena sentar, analisar, mudar o que for preciso... afinal, demora, mas uma hora vai!

:)

Liebe Grüße





sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

.•°* Embalagens de presente de Natal - DIY *°•.

[Essa postagem é parte da "Postagem Coletiva de Natal" do grupo de Blogueiros e Blogueiras Brasileiros na Alemanha]

Natal chegando... e uma das partes que eu mais gosto, sem dúvida, é embalar os presentes!

Além de eu ser muito dos arts & crafts mesmo, acho que faz toda a diferença receber um presente embrulhado bonitinho. Pra mim, um presente numa embalagem bonita passa a impressão de que você se importa, que dar aquele presente para aquela pessoa é uma coisa importante pra você, e que você fez de coração. Não precisa ficar perfeito, claro - o importante é ver que foi feito com carinho.

(Fato que eu nem lembrava mais da minha vida, aliás: por uns 2 meses, muitos anos atrás, trabalhei numa loja de artigos de decoração, meio papelaria, que tinha um serviço de embalar presentes. A pessoa trazia o que ela tinha comprado, e pagava pelo material e pela mão de obra, pra ter um embrulho exclusivo e caprichado. Aprendi a fazer todo tipo de embrulho, tinha uma parede CHEIA de fitas diferentes, de todas as cores e estampas, fitas aramadas, aquele papel crepom "elástico"... era o máximo!! Acho que poderia trabalhar com isso a vida toda, se o $$ desse. *sigh*)

Mas enfim... apesar de eu gostar muito, às vezes surge aquele presente de formato exótico, que faz quebrar a cabeça pra pensar num jeito de embrulhar. Ou então você percebe que não tem muita variedade de material em casa; ou dá vontade de mudar um pouco, fazer algo diferente.

Pra inspirar, então, reuni aqui as idéias mais legais de embalagens DIY que garimpei da internet!

Se você também é desses/as, separe sua tesoura, papéis, música natalina de fundo... e vamos lá:


1. Presentes "sem caixa" - Papel craft costurado



Veja essa idéia AQUI >>
http://www.countryliving.com/crafts/projects/christmas-crafts/craft-ideas-for-christmas-decorations-1209#slide-5


2. Sacolinhas de papel self-made, simples e eficiente (e que servem bem pra formatos estranhos)




Veja essa idéia AQUI >> https://www.youtube.com/watch?v=0TuSN6YeoYg


3. Brincos: pendurados em uma garrafinha de vidro com rolha




Veja essa idéia AQUI >> http://www.mybriolette.com/


...ou em embalagens de papel cartão



Essas são do Etsy: https://www.etsy.com/pt/listing/70064760/listing-for-emily


4. Pras pessoas prendadas: embalagens de origami, a maioria com molde:



MUITAS idéias AQUI >> No Pinterest 


5.  Além de origamis, dá pra pegar idéias e modelos pra fazer caixas, que também salvam com os formatos estranhos e coisas sem formato definido, como roupas:



MUITAS idéias aqui >> Também no Pinterest 


6. Papel craft/pardo - Simples, barato e funciona sempre! Com barbante normal ou colorido, com etiqueta, com colagem, dá pra inventar à vontade:







Veja mais sobre essa idéia AQUI >>  http://www.wearethewhitmores.com/brand-diy-dvd-packaging/


Veja mais sobre essa idéia AQUI  (com tags ótimas pra imprimir, inclusive) >> http://designaglow.com/inspiration/photo-design-project-gift-wrapping-flair/


Até mesmo usando envelopes de papel pardo, comprados já prontos, dá pra improvisar um embrulho charmoso:

diy paquets cadeaux 08 Nice gift packaging ideas


Veja mais sobre essa idéia AQUI >> http://xaxor.com/creative/18569-nice-gift-packaging-ideas.html


7. E se você só tiver papel sulfite, ainda assim não é desculpa pra não fazer um embrulho bonitinho... olha só:

cute floral washi tape gift wrap tied up with string :: fox and star blog

Veja mais sobre essa idéia AQUI >> http://www.thefoxandstar.co.uk/blogs/blog/15618152-just-landed-new-washi-tapes-from-shinzi-katoh-and-maste-japan


Gostaram? Vocês também gostam de caprichar nas embalagens? Me conta aí nos comentários :)

Aufwiedersehen und frohe Weihnachten!



Fonte: http://www.doobybrain.com/2007/10/19/another-calvin-and-hobbes-comic-strip-database/

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Saga do Mestrado - Infotag sobre programas de mestrado na FAU

Mais um passo na saga "mestrado na Alemanha"...

Primeiro de tudo: Porque mestrado?

Bom, pra quem não sabe, eu me formei no Brasil enquanto estava fazendo meu estágio aqui. Como só é possível colar grau pessoalmente, tive que esperar atéééé eu poder ir ao Brasil de novo, um longo ano depois, pra poder pegar meu amado-idolatrado-salve-salve Certificado de Conclusão de Curso (o diploma mesmo ainda levou mais um ano pra ser registrado).

Com o certificado de conclusão na mão, #parti pra obter equivalência (veja essa saga aqui). Lá se foram mais uns 7 meses, desde descobrir como faz até receber o Zeugnisbewertung (certificado de equivalência), dizendo que eu tinha o equivalente a um "4-Jährige Bachelor" em Biologia.

Agora, depois de 2 anos aqui... lá vamos nós, em busca do mestrado. E por quê mestrado, e não trabalho na área? "Você quer ser estudante pro resto da vida?" "Só estuda e não trabalha?"

Então, esse bem era o plano A. PORÉM, ao chegar na Alemanha, imigrante, recém-formada, sem falar o idioma razoavelmente... as chances de trabalho que se apresentam não são exatamente aquelas que a gente sonhou, né.

O idioma é a primeira barreira. E nesses 2 anos aqui, com muito curso intensivo, pra vocês terem uma idéia, eu consegui atingir o nível B1 (!). Pra arranjar um bom emprego na minha área, eu teria que ter no mínimo C1, e um C1 do bão... (por isso, sempre, sempre: se você está pensando em morar fora, a primeira coisa, sem nem pensar, é APRENDER A LÍNGUA! Sempre. Inglês aqui só se você vier como turista, senão... auf Deutsch sprechen. Bitte.)

Pra além disso, com a mudança que teve no sistema de ensino superior aqui há alguns anos - o antigo "Diplom" (parecido com a nossa Graduação) passou a ser um bacharelado de 3 anos + um Master de 1 ano, em geral -, quase todo mundo que sai do bacharelado vai automaticamente para um mestrado, pra completar a formação. Com exceção de áreas como TI, que tão bombando na Alemanha e precisando de gente loucamente, todo mundo acaba fazendo uma formação extra depois do bacharel. Somando-se o fato que minha formação nem daqui é, as chances de eu me sobressair aos outros candidatos, só com um bacharelado, sendo realista... é do tamanho de um brezel.

"Mas você pode tentar, não pode ser pessimista". Concordo, SUPER.

MAS, Nürnberg é uma cidade relativamente pequena, e sair queimando chances com todas as empresas por conta de não falar alemão decentemente ou por não ter formação compatível seria bem frustrante, além de tornar tudo mais difícil depois.

Sendo assim... INFOTAG PRO MESTRADO! o/

O Infotag é um evento de informações, com palestras informativas e o pessoal da Uni lá pra tirar suas dúvidas. Essa que eu fui foi na Uni de Erlangen.

Erlangen continua linda.

Escolhi um programa que me aceitasse com o bacharelado que eu tenho, e que me desse boas chances de emprego depois, e lá fui eu, no horário da apresentação da faculdade que eu escolhi.

Fui sozinha, na cara e na coragem. Cheguei um pouco antes, entrei no prédio que tava no endereço, e já vi os standzinhos de cada faculdade. Tudo muito simples, o pessoal bem simpático (e ainda junto com o folder, você ganhava um chocolatinho! MORRI). Perguntei tudo em alemão mesmo, sobre a bendita legalização do diploma - se precisa ou não -, e isso só mesmo na seção de assuntos internacionais da Uni. Mas de resto, me responderam falando devagar, repetindo o que eu não entendi, bem atenciosos. O responsável me deu a sugestão de fazer um estágio antes de aplicar, pra "fortalecer" meu Bewerbung - achei válido, mas bateu uma tensão prévia já... senti meu humilde Bachelor ainda mais magrinho. rs

Depois fui pras palestras informativas: uma sobre como aplicar, a outra sobre o programa em si. Nos dois casos, os palestrantes falaram MUITO rápido, mas até que consegui entender a maioria das coisas. O responsável pelos Applications foi extra simpático, se ofereceu na hora pra falar em inglês, se fosse mais fácil pra mim, e se dispôs a ver meus documentos e me ajudar por e-mail depois, dizendo tudo que ainda faltava, se faltava, etc.
Pro outro palestrante, um dos responsáveis pelo programa de mestrado em questão, eu nem fiz nenhuma pergunta, porque a sensação que eu tive foi que eu só vou estar pronta pra assistir uma aula sobre aquele assunto, com aquelas pessoas, pra lá de 2020!!rs Mas enfim. Vamos ver.

O próximo passo agora, além de descobrir sobre se meus documentos tem que ser legalizados (o que só pode ser feito no Brasil), é ter o excelentíssimo DHS 2 - tipo um TOEFL, só que de alemão, e nível C1. Não sei se eu consigo estar com ele na mão em julho (tirei a dúvida hoje, e sim, tem que já estar com ele na mão, ou pelo menos já ter o nível e já estar pra prestar)... mas vou tentar!

Conclusão de ter ido no Infotag: o pessoal da Uni é MUITO mais acessível do que eu imaginava; meu alemão ainda não dá pra assistir aula em alemão; eu devia mesmo fazer um estagiozinho antes de aplicar.

E ainda ganhei mais um mico pra adicionar naquela minha lista: não lembrei de que aqui se bate na mesa ao invés de bater palma, e fiquei lá, parada sem fazer nada, sentada bem na fileira da frente e com só meia dúzia de gato pingado na sala (ou seja, o cara viu que eu não tava 'batendo palma' pra ele). Ai ai. Mas da segunda vez eu bati!!rs

E é isso. Quem quiser compartilhar seu árduo caminho também, ou me dar alguma dica, tô aceitando aí nos comentários!!

Auf wiedersehen :)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Reconhecendo diploma de Bióloga na Alemanha - parte 2


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ATUALIZAÇÃO - Outubro/2015

Pessoal, vi que o site do KMK teve algumas mudanças. O post é de Nov/2014, e eu fiz a equivalência no final de 2013. Portanto, algumas coisas podem (e devem estar) desatualizadas. Por exemplo: para documento em português, parece que não é mais necessário tradução (oh yeah!).

Para confirmar todas as informações, consultem a página oficial do Kultusminister Konferenz (KMK) - www.kmk.org.


A página referente a documentos brasileiros é essa aqui: http://www.kmk.org/zab/zeugnisbewertung-hochschulqualifikationen/einzureichende-dokumente/brasilien.html


Viel Glück :)
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VEJA A PARTE 1 AQUI - Reconhecendo diploma de Bióloga na Alemanha - parte 1
Ok. Agora que você:

- já sabe que sua Universidade e seu curso são reconhecidos;
- já sabe se sua profissão é regulamentada ou não na Alemanha;

- tem seus documentos todos aí,

...o primeiro passo seria marcar um Termin com um Berater ou Beraterin, que vai facilitar muito sua vida, e de graça. Ela vai analisar seu caso específico e te aconselhar sobre as possibilidades de equivalência e reconhecimento que você tem, dar suporte e acompanhar seu processo de reconhecimento, e quando seu papel vier, vão te ajudar a entender o que veio escrito e te mostrar as possibilidades que você tem a partir disso.

Eu descobri onde tinha esse aconselhamento através do site Annerkenung in Deustchland, na página "Beratung IQ NETZWERK", onde tem um mapinha com todos os locais que fazem Beratung em cada região. Você clica naquele que estiver mais próximo de você, e ele vai te mostrar todos os endereços e contatos nessa área, pra marcar o Termin.

Aqui em Nuremberg, escolhi esse endereço abaixo, e não me arrependi. A Ansprechpartnerin foi sensacional, muito simpática, paciente, e me explicou passo a passo o que eu precisava fazer, o que eu teria em cada caso, os custos, tudo direitinho:



Zentrale Servicestelle zur Erschließung ausländischer Qualifikationen in der Metropolregion Nürnberg (ZAQ) 
Beratungsstelle Anerkennungsgesetz
Cover Flyer Nürnberg
Untere Talgasse 8
90403 Nürnberg
www.bz.nuernberg.de
Zdenka KönigTel: 0911/231 -3978
E-Mail: zdenka.koenig@stadt.nuernberg.de



Clicando aqui você pode ver um flyer dessa central que eu fui, explicando o que eles fazem, pra quem é o serviço, como chegar, tudo mais.
Liguei e marquei um dia pra ir lá, e os documentos que tem que levar no dia são:

- Certificados originais, e a tradução pro alemão caso tenha (eu tinha acabado de fazer a tradução juramentada do meu diploma e histórico escolar, com um tradutor ótimo de Munique, então levei. Também levei todos os outros certificados que eu tinha, mas sem tradução);
- Cartas e comunicação com instituições oficiais, caso você já tenha tentado reconhecimento alguma vez (eu não tinha);
- Currículo, caso você tenha um já (eu tinha, levei, em inglês e alemão);
- Identidade ou passaporte.
Indo lá seus problemas acabaram, que essa pessoa vai te explicar tudo. Mas eu vou contar mesmo assim o que eu fiz a seguir.

Em tempo: eu escolhi seguir com esse processo aí mesmo do ZAB, que é da Alemanha, mas eu poderia também ter feito através do Staatsministerium (secretaria? câmara?) de Educação e Cultura da Baviera, que tem também uma central de reconhecimentos, pra qualificações obtidas foram da Baviera. Algumas pessoas me recomendaram bem o serviço deles, mas como eu tava só esperando chegar o papel do ZAB, acabei nem indo atrás. Aqui no site deles você pode saber as informações sobre esse outro caminho (se você quiser atuar na Bavária, claro. Se não, procure esse órgão da sua região). 


Pois bem. Os próximos passos pra mim, como já tinha as traduções juramentadas, foram:

- Entrar no site do ZAB e preencher esse pré-formulário (Vorformular).
- Depois de preencher, eles vão enviar o formulário online (Online-Antragsformular) por e-mail. Se você tiver vários diplomas, eles pedem pra fazer download do formulário pra cada um deles. Eu só tinha o de bacharelado mesmo.
- Fiz o download desse formulário que eles enviaram por e-mail, preenchi no computador mesmo, e enviei de volta pra eles por e-mail.
- Além de enviar pra eles, é necessário imprimir esse mesmo formulário preenchido, e mandar via correio junto com todos os outros documentos necessários pro ZAB em Bonn. O endereço e essas instruções que eu segui você pode consultar aqui nessa página do ZAB.

Esses documentos são (confira a lista oficial em alemão aqui):

- Em cópia autenticada aqui na Alemanha: (amtlich beglaubigter Fotokopie)

• o certificado de conclusão original da qualificação de ensino superior, com as matérias e notas de todo o curso - ou seja, Diploma e Histórico Escolar com nota final. Eu não tinha o Diploma ainda, então enviei só o Certificado de Conclusão de Curso (mais o Histórico), e foi aceito; 
• o suplemento de diploma na forma padrão européia (se precisar, pergunte ao Berater, eu não precisei, nem sei o que é na verdade)

Se seus documentos não estiverem em alemão, inglês, francês ou espanhol,  você deve anexar também a cópia autenticada (aqui na Alemanha) da tradução juramentada (por um tradutor que seja juramentado aqui na Alemanha). Se seu certificado for fornecido em duas línguas (tipo português e inglês), anexe ambos.


- Em cópia simples:

• o certificado original que permitiu que você entrasse no ensino superior - talvez seja o certificado de conclusão de ensino médio, no nosso caso. Eu não tinha, mas no meu histórico da Universidade vinha constando meu ensino médio. Eu anexei uma explicação de que no Brasil a gente presta vestibular, como forma de entrar numa Universidade. A minha nota do vestibular, assim como qual vestibular era (VUNESP), também constavam no meu Histórico da faculdade.  Esse documento não precisa obrigatoriamente ser traduzido.
• Seu documento de identificação (identidade ou passaporte) 
• Caso você tenha alterado seu nome e o documento de identidade não deixe isso claro, anexe uma declaração oficial
• Evidências dos motivos, caso você não queira que o ZAB confira a validade dos seus documentos (eu coloquei que eu autorizava)

Você não deve enviar NADA ORIGINAL! Só cópias, autenticadas ou não, conforme essa lista. Eles não vão devolver nada e não se responsabilizam por seus documentos, caso você envie originais.

*Pro Brasil especificamente: pedem que anexe uma nota sobre a duração regular do curso, podendo ser um comprovante da Universidade ou resumo do "plano de estudos" (grade curricular). No meu caso, vinha essa informação na primeira página do Histórico Escolar, que era um curso de 4 anos período integral.

- Quando eles receberem seus documentos, primeiro eles vão conferir se está tudo lá. Não vão ver cada um certinho, só vão conferir se não ficou faltando nada. Eles mesmo dizem que 8 a cada 10 pedidos vêm com documento faltando ou com cópias não autenticadas (!), o que fazem com que eles nem continuem o processo. Então confira bem direitinho se você anexou tudo.

- Caso não falte nada, eles tem um prazo de 3 meses a partir do recebimento dos seus documentos pra processar seu certificado (...que no meu caso viraram 7 meses! Quando liguei, explicaram que esse atraso foi por causa do grande número de pedidos e pouca gente pra atender a demanda). 

- Assim que te disserem se todos os seus documentos estão lá e estabelecerem essa data final, vão te mandar a conta. Só se realmente estiver tudo lá é que você vai pagar a taxa. Você faz o pagamento através de uma transferência ou depósito, citando o número do seu processo nos dados da transferência.

Eu paguei 100 euros por esse documento de equivalência para o diploma de bacharelado. Agora, pelo que vi no site, custa 200 euros (!) o primeiro diploma, e mais 100 euros por diploma adicional (tipo de mestrado, por exemplo). É bem caro. Se você souber em que estado você vai trabalhar/estudar, vale a pena se informar sobre as taxas desse outro órgão que também faz reconhecimento, como eu citei o Staatsministerium aqui da Baviera.


- Depois do prazo (e talvez algum atraso, como no meu caso, que demorou quase 7 meses ao todo), eles mandam seu certificado de equivalência por correio.

Se der tudo certo, você vai receber na sua casa um envelope com dois documentos: um resumido e um extendido. O resumido você pode enviar junto com seu currículo quando se candidatar a algum emprego, por exemplo. Já o extendido vem com tudo mais especificado, caso precisem de informações mais detalhadas.

Ah, e antes que eu me esqueça: a equivalência só pode ser feita se você já tiver sua qualificação concluída. Se estiver em andamento, não é possível fazer.

Uma última observação: pense e se informe se pro seu objetivo, você REALMENTE tem que ter a equivalência. Se seu objetivo for mestrado, por exemplo, talvez seja interessante ir primeiro perguntar, no setor responsável por alunos estrangeiros da Universidade de interesse, se seus diplomas são válidos e suficientes. Como eu disse na parte 1, quem decide a equivalência dos seus estudos pra fins acadêmicos é cada Universidade, acima até da decisão do ZAB.


Se restaram dúvidas ou se você quer pegar as informações da fonte (o que é sempre bom), aí vão os sites:

IQ Netzwerk (que criou o sistema novo simplificado de reconhecimento de qualificações estrangeiras, tem muito mais coisas sobre integração, além dessa questão de reconhecimento de diploma, bem legal): http://www.netzwerk-iq.de/anerkennung_abschluesse.html

Anerkennung in Deutschland (é um site oficial)http://www.anerkennung-in-deutschland.de/html/de/index.php

Anabin (pra ver se sua Universidade e curso são reconhecidos): http://anabin.kmk.org/


Site do KMK - Kultusministerkonferenz (Ministério da Educação) - página por página:
    - Folheto explicativo geral, sobre reconhecimento, equivalência, título, etc: http://www.kmk.org/fileadmin/pdf/ZAB/Zeugnisbewertungen/Infoblatt_Anerkennung_Hochschulabschluesse_deutsch.pdf
 - Página do ZAB (Zentralstelle für ausländisches Bildungswesen): http://www.kmk.org/zab/unsere-aufgaben.html
    - Página explicando como é o certificado de equivalência que eles fornecem, o Zeugnisbewertung: http://www.kmk.org/zab/zeugnisbewertungen-fuer-auslaendische-hochschulqualifikationen.html
    - Se você é de Baden-Württemberg ou Berlin E tem uma profissão não regulamentada, mas que tem regras específicas de acordo com o estado, aqui eles explicam sobre o certificado de equivalência pra esse caso específico: http://www.kmk.org/zab/gleichwertigkeitsbescheide-fuer-nicht-reglementierte-landesrechtlich-geregelte-berufe.html
    - Página explicando sobre os títulos de grau estrangeiros (mestre, doutor, etc) e com links pras instituições de cada região, pra se informar melhor: http://www.kmk.org/zab/veroeffentlichungen-und-beschluesse/fuehrung-auslaendischer-hochschulgrade.html
    - Reconhecimento relacionados à vida escolar (tipo conclusão de ensino médio, etc): 
http://www.kmk.org/zab/anerkennung-im-schulbereich.html
    - Reconhecimentos relacionados a ensino superior: http://www.kmk.org/zab/anerkennung-im-hochschulbereich.html
    - Reconhecimentos relacionados à qualificações profissionais (incluindo essa questão de profissões regulamentadas e não regulamentadas): http://www.kmk.org/zab/anerkennung-im-beruflichen-bereich.html
    - Outras resoluções e comunicados, tipo sobre acordos entre países, etc: http://www.kmk.org/zab/veroeffentlichungen-und-beschluesse.html


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Reconhecendo diploma de Bióloga na Alemanha - parte 1


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ATUALIZAÇÃO - Outubro/2015

Pessoal, vi que o site do KMK teve algumas mudanças. O post é de Nov/2014, e eu fiz a equivalência no final de 2013. Portanto, algumas coisas podem (e devem estar) desatualizadas. Por exemplo: para documento em português, parece que não é mais necessário tradução (oh yeah!).

Para confirmar todas as informações, consultem a página oficial do Kultusminister Konferenz (KMK) - www.kmk.org.


A página referente a documentos brasileiros é essa aqui: http://www.kmk.org/zab/zeugnisbewertung-hochschulqualifikationen/einzureichende-dokumente/brasilien.html


Viel Glück :)
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(Aviso: esse post está repetitivo em algumas partes, porque tem algumas palavras e conceitos que sempre fazem confusão na cabeça das pessoas... por isso eu reforcei esses conceitos.)

Uma das maiores dúvidas de quem vem pra Alemanha com diploma é: como eu faço pra continuar a estudar ou trabalhar na minha profissão? Minha formação vai ser reconhecida aqui?

Eu tive essa dúvida, e felizmente descobri que em 2012 entrou em vigor um novo sistema pra reconhecimento de diplomas estrangeiros, simplificado, pra ajudar a suprir a demanda da Alemanha de mão de obra qualificada. Agora quando você faz o processo de equivalência, você recebe um papel só, que já diz tanto o que sua formação representa pra continuar os estudos, como também pro mercado de trabalho. Se você tentou fazer antes de 2012 e não conseguiu o reconhecimento, recomendo tentar novamente, nesse novo sistema simplificado.


Porém, pra cada profissão as coisas podem funcionar de forma diferente. Eu vou explicar como foi o MEU processo, que sou BIÓLOGA, e só bacharel. Talvez pra sua profissão seja um pouco diferente, mas dá pra já tirar umas dúvidas sobre o processo.

Então, vamos lá. A primeira coisa que você precisa saber é que sua profissão pode ser:


- REGULAMENTADA: como médicos, advogados, professores, etc. Você tem que ter uma "licença" pra trabalhar com aquilo, uma prova, algo assim, pois é uma profissão regulada pela Lei. Você precisa de uma permissão pra trabalhar com aquilo. Os farmacêuticos, por exemplo, tem que passar 2 ou 3 Staatsexamen para poder trabalhar em algumas áreas específicas, mas não em outras. Só quem tem profissão regulamentada na Alemanha vai precisar do Berufliche Anerkennung (ou seja, o "reconhecimento profissional" propriamente dito).  Veja aqui a lista de profissões que são regulamentadas na Alemanha. 



- NÃO REGULAMENTADA: como biólogos, aqui na Alemanha, ou designers no Brasil. Você vai precisar de uma formação que te dê os conhecimentos necessários, e o empregador/ a Universidade onde você quiser fazer uma especialização ou pós vão cobrar que você tenha ensino superior, mas não é como os advogados, por exemplo, que precisam passar pela prova da OAB pra atuar no Brasil, por lei, tudo mais. O que você vai ter da Alemanha, então, nesse caso, não é o "reconhecimento profissional" (Berufliche Anerkennung), mas sim a equivalência da sua formação (Zeugnisbewertung, Bewertung). *não confundir com Bewerbung ;)



Então, bacharel em Biologia não é uma profissão regulamentada na Alemanha (apesar de ser no Brasil).

O que isso significa? Que eu não preciso necessariamente ter a equivalência ou a validação ou qualquer outra coisa pra trabalhar na área ou fazer mestrado, vai depender do empregador ou da Universidade aceitarem meu diploma brasileiro. MAS, pode ser que o empregador não aceite meu diploma brasileiro por não saber exatamente o que eu aprendi lá. E a mesma coisa a Universidade, que aqui decide soberanamente se o seu estudo é suficiente ou não pra um mestrado, por exemplo (e pode ser que eles digam que não mesmo você tendo a equivalência total do ZAB; a Uni aqui sempre tem autonomia pra decidir. Por isso o Ministério da Educação inclusive já diz que não existe um Akademische Anerkennung, pois cabe sempre à Universidade alemã analisar e decidir sobre aceitar ou não seu diploma estrangeiro).

Ter a equivalência (Zeugnisbewertung, Bewertung), nesse caso, vai me ajudar somente a comprovar que o bacharelado que fiz no Brasil se equipara ao bacharelado em Biologia daqui da Alemanha (e se não se equiparar, vai explicar no que é equivalente e no que não, tintim por tintim). Pode vir dizendo que é totalmente equivalente ao bacharelado alemão, ou pode vir que você pode eliminar tais matérias, ou que só precisa fazer mais tais provas... Vem especificado. No meu caso, veio escrito que minha formação é equivalente a um bacharelado de 4 anos em Biologia na Alemanha (aqui costumam ser só 3 anos), e  que eu posso então trabalhar na área e fazer um Mestrado, como qualquer alemão formado aqui.

A Uni ainda pode dizer que não, não é suficiente; mas vai ser muito mais difícil justificar por que não, já que o Ministério da Educação analisou cuidadosamente meus estudos e disse que era, sim, equivalente. Sacaram? (essa é inclusive uma dica que o próprio Ministério da Educação dá, no site)

Então tá. E agora o que todo mundo quer saber: COMO FAZ?

Primeiro, saiba do que você precisa: se você é de uma profissão NÃO REGULAMENTADA, como a minha, você vai fazer a equivalência. Ou seja, um papel que diga a quê o seu diploma brasileiro pode ser equiparado na Alemanha. Quem faz isso é o ZAB (Zentralstelle für ausländisches Bildungswesen), que faz parte do Ministério da Educação (Kultusminister Konferenz).
Se você for de uma profissão REGULAMENTADA, você vai precisar fazer o Berufliche Anerkennung, e talvez outras cositas más. Nesse caso
, você vai precisar procurar uma Anerkennungsstelle. Mais informações aqui na página do Ministério da Educação sobre esses casos. Recomendo dar uma lida no post da Raquel, do blog/ vlog Backpackingalone, e também o vídeo que ela fez sobre o processo dela (ela é farmacêutica), ela explica esse caso um pouco melhor. O vídeo está no post. Farmácia é uma das profissões que pra algumas atuações é regulamentada, e pra outras não, depende da área em que você quer atuar.  Ela também cita algumas alternativas ao ZAB pra fazer equivalência.

Pra resumir:

















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E o famoso "reconhecimento"? O termo reconhecimento faz muita confusão, por significar duas coisas diferentes. Reconhecimento (não naquele sentido de reconhecimento profissional - Berufliche Anerkennung, isso eu já expliquei lá em cima, é outra coisa),  é o que sua Universidade do Brasil e seu curso precisam ter aqui na Alemanha. A Alemanha tem que reconhecê-los como Universidades/cursos válidos, legais, bacaninhas, oficiais. Pra saber se a sua Universidade é reconhecida, consulte aqui (clique em "Suchen", logo em cima desse quadro cinza cheio de texto), e pra saber se seu curso é reconhecido, vá em "Suche" aqui
E a "legalização"? Legalização (Legalisation) significa provar que seu diploma brasileiro é verdadeiro, que você não comprou um na Praça da Sé ou fez no Photoshop. Isso nem sempre é exigido (eu não precisei fazer pra ter a equivalência), mas se seu diploma ainda estiver no Brasil, é bom providenciar, já que isso só pode ser feito lá. Você tem que levar o diploma no Consulado alemão responsável pela sua região, no Brasil, já com uma das assinaturas tendo sido reconhecida em cartório, e eles vão carimbar dizendo que aquele diploma é mesmo um documento válido e verdadeiro. Não pode ser feito na Alemanha, tem que ser no Consulado alemão no Brasil. (mais informações aqui no site do Consulado)

E só pra acabar com as confusões palavréticas, tem também as autenticações (ou cópia autenticada). Isso significa tirar uma cópia num lugar que vai comparar com o original e carimbar essa cópia, dizendo que é mesmo igualzinha a original. Geralmente tem vários lugares que fazem esse tipo de cópia, aqui em Nuremberg eu faço sempre na Rathaus (no Bürgerinformations Zentrum, na verdade) . Custa 5 euros POR DOCUMENTO (independente do número de páginas). Isso pode ser feito aqui na Alemanha mesmo. Pra saber onde se faz isso na sua cidade, procure no google por "Beglaubigte Kopie (nome da sua cidade)".

Sabendo tudo isso, vamos ao processo que eu fiz, pelo ZAB (tenha em mente sempre que se sua profissão for outra, pode ser diferente, ok? Vou dar dicas pra você encontrar informações adequadas à sua situação também!)

CLIQUE AQUI >>> Reconhecendo diploma de Bióloga na Alemanha - parte 2


! Aqui tem um folheto informativo do Ministério da Educação (Kultusminister Konferenz), com tudo isso que eu falei bem explicado e didático, só que em alemão, se você quiser beber direto da fonte: http://www.kmk.org/fileadmin/pdf/ZAB/Zeugnisbewertungen/Infoblatt_Anerkennung_Hochschulabschluesse_deutsch.pdf 


Aqui a notícia de quando saiu o sistema simplificado, no site da embaixada alemã no Brasil, explicando tudo com detalhes: http://www.brasil.diplo.de/Vertretung/brasilien/pt/__pr/DZBrasilia__Artigos/11__2011/071111__diplomasestrangeiros.html